terça-feira, 6 de abril de 2010

Post: Concurso Megazine

Como acho que não vai rolar mesmo, vou postar ele aqui também :x

Era manhã, meio da manhã: tarde demais para o café e muito cedo para o almoço. Então ela foi ler. Não tinha mais de dez anos, era pequena, corpo esguio, pernas finas que andavam rapidamente em passos curtos, pés pequenos que se esticavam, assim como os dedos finos, para alcançar o livro desejado. E, ao fazê-lo, um sorriso de satisfação se formou nos lábios também finos. Toda ela era de uma finura só. Era quase como pele e esqueleto, mas tinha um ar de graça que a fazia ter uma beleza etérea. Com seus cabelos de fios finos e longos e fartos, não lisos, crespos mesmo, esvoaçantes e rebeldes; a única coisa realmente volumosa nela.

E ela se esticava e se esticava e esticava. As pontas dos dedos roçavam na capa dura do livro tentando se agarrar a qualquer ruga, qualquer imperfeição, mas ele continuava intacto, imóvel na prateleira. Bufou. Posicionou-se em frente a estante e ficou parada, como se, ao menor ruído produzido, o livro fosse criar vida e fugir.

Agora, ela era uma leoa, a espreita, apenas aguardando o melhor momento para atacar. O livro era a sua presa, dócil, calma e desatenta. Havia uma infinidade de outros livros nas prateleiras baixas, mas como se por hipnose, havia sido aquele que chamara sua atenção. E era somente aquele que ela queria.

Investiu em um novo ataque. E novamente o livro escapulira de suas mãos como se fosse um sabão escorregadio. Agora era raiva e fúria e frustração. Deveria haver um jeito de pega-lo, tinha que ter!

E como se levasse um susto, estacou. A respiração falha por um momento e os olhos arregalados como pires. Ria loucamente, gargalhava. Como não havia pensado nisso antes? Puxou uma cadeira, subiu e, com um sorriso triunfante, pegou seu troféu. Agora ele era seu, somente seu. Apertava-o forte contra o peito, como se a qualquer momento alguém pudesse vir e rouba-lo de seus braços. Sentou-se na cadeira ali mesmo. Ela toda era pura expectativa.

Agora, ela era faminta e o livro era o seu banquete.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O tempo

e o espaço se fundiam em uma só massa colorida e disforme. Tudo eram cores e cheiros, era um carrossel em velocidade supersônica e desenfreado; e eu estava no centro dele.
Tudo a minha volta passava rapidamente, sem que eu conseguisse assimilar sequer 1/3 de qualquer coisa. Dado um certo momento, nada mais me importava. Não queria mais entender. Era mais fácil assim.

O mundo corria sem me afetar e sem ser afetado por mim.

Eu já não sentia mais nada. Não demonstrava nada.
Eu não passava de um peso morto. Um corpo inerte, sem emoções, sem vida.

Foi quando um som me despertou. Um simples som ultrapassou a barreira e chegou aos meus ouvidos. Segundos depois a visão me foi devolvida.
E eu podia ouvir e ver, a pequena criaturinha que chamava meu nome. Escondida, tímida. Esperava uma resposta. Apenas um olhar foi o bastante.
O sorriso se formou e o som da risada invadiu meus ouvidos. A risada pura e inocente. A felicidade estampada na simplicidade e pureza me fez levantar. Me fez despertar e despregou a casca inerte de mim; toda a barreira se desfazia e eu podia ver e ouvir. Podia falar, mas não o queria.
Apenas o som da risada era o suficiente para mim.
E
eu flutuava em ondas de alegria.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Problemas

são como câncer. Sempre começam pequenos e insignificantes, mas se você não der a devida atenção, eles crescem e tomam tudo.
Quando for ver, o problema já tomou proporções enormes e não se sabe mais como o resolver.

É nessa hora que nos desesperamos e arrancamos os cabelos x)