sábado, 6 de fevereiro de 2010

O tempo

e o espaço se fundiam em uma só massa colorida e disforme. Tudo eram cores e cheiros, era um carrossel em velocidade supersônica e desenfreado; e eu estava no centro dele.
Tudo a minha volta passava rapidamente, sem que eu conseguisse assimilar sequer 1/3 de qualquer coisa. Dado um certo momento, nada mais me importava. Não queria mais entender. Era mais fácil assim.

O mundo corria sem me afetar e sem ser afetado por mim.

Eu já não sentia mais nada. Não demonstrava nada.
Eu não passava de um peso morto. Um corpo inerte, sem emoções, sem vida.

Foi quando um som me despertou. Um simples som ultrapassou a barreira e chegou aos meus ouvidos. Segundos depois a visão me foi devolvida.
E eu podia ouvir e ver, a pequena criaturinha que chamava meu nome. Escondida, tímida. Esperava uma resposta. Apenas um olhar foi o bastante.
O sorriso se formou e o som da risada invadiu meus ouvidos. A risada pura e inocente. A felicidade estampada na simplicidade e pureza me fez levantar. Me fez despertar e despregou a casca inerte de mim; toda a barreira se desfazia e eu podia ver e ouvir. Podia falar, mas não o queria.
Apenas o som da risada era o suficiente para mim.
E
eu flutuava em ondas de alegria.

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